Conversamos com o Rogério Dutra, o Predador. O piloto carioca contou a sua trajetória, momentos marcantes e o que esperar dele na volta do SDB.

Como está sendo essa pré-temporada prolongada?

O carro está em BH, a Arrows performance desmontou e está fazendo o carro do zero. Ano passado tive alguns problemas nele e só consegui participar de uma etapa, no Mega Space, e mesmo assim com o motor quebrado. Então resolvemos refazer projeto do carro, desmontamos suspensão, motor e todo o resto. A equipe está deixando o carro perfeito para não ocorrer nenhum tipo de imprevisto durante as etapas. É muito ruim viajarmos por milhares de Km, chegar na pista e não poder competir, portanto ter um equipamento confiável é a minha prioridade no momento. Além disso, o meu carro estava com 180 cavalos, o que me limitava muito dentro da pista, eu andava por ser destemido, amar o esporte e não querer ficar de fora, mas o nível dos outros carros era muito maior que o meu.  Agora vou vir de igual para igual. Esse ano meu carro vem com uma cavalaria boa, passou no dinamômetro e deu 380 cv. Acredito que vamos conseguir chegar entre 400 e 450 cavalos.

Fala um pouco das dificuldades que você teve com o carro e como ele vem para a próxima temporada.

As únicas vezes que eu tive um carro bom foi na etapa do Rio de Janeiro e na etapa de Birigui. De lá para cá eu vim mudando de preparador e cada um fazia uma coisa e o projeto acabou se perdendo, mas agora eu fechei com um preparador e ele vai trabalhar do início ao fim do projeto do carro.

É um Toyota Chaser, eu sempre andei com o motor 4.1 do Ômega, mas é um motor que apesar de ter muito torque se limita nos 5 mil giros, agora eu optei por vir com o motor da BMW 328i forjado, e acredito que vamos andar com algo entre 400 e 450 cavalos de roda.

Como é a sua história no automobilismo?

Eu tenho orgulho de dizer que venho das manobras radicais. Na verdade, o meu primeiro contato foi na rua mesmo, mas entendi a necessidade de ter um local seguro e ideal para a prática do automobilismo. Foi aí que eu fundei a equipe “Predador 2 Manobras Radicais” e comecei a fazer eventos em sítios, locais de exposição e parques fechados. Com o sucesso desses eventos acabamos chamando a atenção da mídia e autoridades, e começamos a ter apoio de prefeituras para levarmos o show para as cidades. Chegamos a trabalhar com prefeituras do interior do Estado do Rio de janeiro e de alguns outros estados como são Paulo, Paraná, Brasília. Foi em uma dessas apresentações que eu acabei conhecendo o esporte que eu tanto amo. Vai fazer 4 anos que estou no Drift, e durante um desses eventos, em Niterói, um amigo, chamado Eduardo Regal, deixou um cartão com a minha esposa e pediu que eu entrasse em contato. Ele era Juiz e fundador de um evento de drift de Brasília. Entrei em contato, fui no escritório e ele me explicou que não existia um representante carioca no esporte e ele me queria para esse posto. Acontece que eu não era piloto de drift, até então eu não sabia como funcionava e quais eram os critérios. Então ele me explicou e eu curti demais, mas eu não sabia como faria porque meu carro era uma Ômega Suprema todo preparado para fazer cavalo de pau, e mesmo assim ele me incentivou e deu a notícia de que eu teria 15 dias para me preparar para um evento que ia acontecer em Brasília. Ele me ajudou a ajustar o carro, comprei uma carreta e fui pra Brasília. Foi onde conheci  grandes nomes do esporte e foi amor à primeira vista pelo drift. Desde então eu me dediquei ao esporte e se estou no SDB hoje, o mérito todo é do Eduardo Regal. Ele não se encontra mais entre nós, mas eu espero um dia subir no lugar mais alto do pódio para poder agradecer, porque foi ele quem me trouxe para o drift, me incentivou e me deu a mão.

Pode contar um pouco da sua história no SDB?

A minha primeira etapa foi em Piracicaba. Logo que comecei a andar no SDB eu comprei uma BMW que eu mesmo montei no fundo do meu quintal. Eu era piloto, preparador, mecânico e tudo que fosse preciso. Todas as despesas também eram por minha conta, vendi imóveis, vendi carros, tudo para poder praticar o Drift. O SDB tinha um nível muito maior que o Podium Race, que era o outro evento que eu havia participado, então eu sabia que precisava mudar, melhorar o carro, fazer um layout e melhorar o meu equipamento. Até então eu não tinha macacão e nenhum outro item de segurança apropriado, então eu investi nisso. Além disso tinham as viagens que acabavam gerando uma despesa alta por serem longas, mas, apesar disso, acredito que eu seja um dos poucos pilotos que nunca faltou a uma etapa, mesmo com o carro quebrado ou com algum problema eu sempre estive presente. Eu sou muito grato ao Neto por isso. Eu acredito que o piloto precisa ter compromisso, e isso eu sempre tive com quem estendeu a mão para mim, e o Neto foi uma dessas pessoas. Acho que o nome da minha história seria “Predador: Dos pegas de rua para o Grid da SDB”

Como foi ter uma etapa na sua cidade?

Para mim, foi uma das melhores etapas. Por ser na minha casa o público já me conhecia, a gente vê nos vídeos a plateia vibrando muito quando eu entrava na pista, então foi um incentivo a mais. Tive uma batalha com o André Bueno que fui com sangue nos olhos, na primeira passada eu acabei indo com tudo e dei um toquinho na porta dele, então ele bateu na lateral da pista e eu tomei um zero. Então fomos para a segunda passada, eu fiz uma volta perfeita e ele alinhou, foi onde empatamos. No desempate, não sei se teve algum problema no carro, mas ele acabou não voltando para a pista. Então minha próxima batalha seria com o Daigo Saito, que veio para o Brasil para participar daquela etapa. Mas quando entrei na pista para fazer a volta da vitória, soltou a porca do pivô, roletou e eu não tinha uma máquina de solda dar um pingo em cima do pivô. Então ficou aquela pergunta “Predador x Daigo Saito, quem ganharia? ”. Eu com certeza iria com tudo, estava na minha casa, contra o campeão mundial, iria esfregar a porta dele até arrancar os adesivos, mas por ironia do destino não foi daquela vez. Porém, de qualquer forma, o público do Rio de janeiro ama o Drift, é muito fiel ao esporte, e a etapa do Rio foi como um sonho realizado.

O que podemos esperar do Predador na volta das competições?

Esse tempo que a gente ficou em casa, só serviu para mostrar como o SDB faz falta, o quanto é importante para mim, eu sou viciado no Drift. Pelo menos eu consegui reestruturar o meu carro, se as datas seguissem as mesmas eu provavelmente não conseguiria andar nas duas primeiras etapas por conta de o carro ter sido refeito. Quando as competições voltarem, eu com certeza vou vir mais competitivo do que nunca e almejando o pódio.

Tem alguma consideração final?

Sim. Tem uma frase que eu gosto bastante e procuro seguir durante a minha vida “Use a escada da humildade para alcançar caminhos Mais altos. ”