Falamos com o Rafael Pontes, o Drift Viking. Ele falou um pouco da sua BMW e36, a
Shirley, treinos e de sua estreia, no Mega Space.

Como está sendo esse período de isolamento social?

Está sendo complicado, mas vamos indo. Estou treinando pelo simulador. Apesar de ser bem diferente por não ter a força G, é uma forma de seguir treinando nesse período complicado.
Além disso, estou trabalhando no meu carro. Tive alguns probleminhas então aproveitei para arrumar e ajustar alguns detalhes. Atualmente estamos refazendo a parte elétrica.

Você falou sobre o simulador, quais são as vantagens pensando na preparação para o campeonato?

Acho que a principal diferença é a falta da força G. Quando estou no carro acabo usando ela para me guiar, saber quando o carro vai destracionar, ou fazer qualquer alteração na linha. Quando vou para o simulador não tenho todos os sentidos, igual na realidade, pra me orientar, uso basicamente a visão e a resposta do volante. Mas em compensação acabo realmente entendendo cada movimento que faço. Outro ponto positivo é a possibilidade de poder arriscar bastante, sem me preocupar em bater o carro, gastar pneu ou ter qualquer outro tipo de problema.
Aliás essa é uma dica que quero deixar para quem quer iniciar no esporte. Para evoluir no drift você precisa arriscar. Portanto um caminho eficaz é iniciar no simulador para ganhar noções básicas e, quando for para a pista, escolher uma com uma boa área de escape. Assim, além de ter mais segurança, você vai poder treinar sem medo.

Você começou a fazer alguns upgrades no seu carro no ano passado, o que vai ter de novidade para esse ano?

Isso, acabei ficando de fora das duas últimas etapas do ano passado para fazer alguns upgrades no meu carro. Ele era aspirado e montamos um projeto turbo nele, então aproveitamos e forjamos o motor, trocamos  as bielas, pistões e bronzinas, e montamos tudo o que foi necessário. Quando estava tudo certo, levamos o carro para o dinamômetro, mas a turbina, que era nova, acabou quebrando. Agora estamos colocando uma outra turbina e uma injeção, novas, e aproveitamos para refazer toda a elétrica do carro. Antes de terminar os ajustes no dinamômetro o carro estava com 315whp e 45Kgf.m aproximadamente.

Conta como você entrou para o mundo do automobilismo.

Sempre gostei de carros, fui influenciado pelo meu pai. Ele sempre me levava para assistir à Fórmula 1 e Fórmula Truck, além de exposições e no salão do automóvel. Aos 18 entrei na FEI, e fiz o curso de engenharia mecânica com ênfase em automobilística, e ganhei um carro do meu pai, um Marea, que só me dava dor de cabeça. Alguns anos depois, comecei a participar de hotlaps em kartódromos, e track days nas pistas de Piracicaba e Interlagos, nessa época eu tinha um Jetta TSI, com alguns upgrades e com direito a pneu slick.

Quando o carro já tinha dado tudo o que podia, resolvi montar um de pista. Decidi que seria um com tração com traseira. Fui atrás e encontrei a minha BMW. Ela estava bem detonada, então comecei a montar devagar. Nessa época eu ainda não tinha me arriscado no Drift e estava na dúvida se montava o carro para drift ou grip. Acabei decidindo montar pra drift antes mesmo de aprender a fazer e quando o carro estava bom, levei pra pista e comecei a aprender. Até que fui em um treino livre da SDB, em Piracicaba e me convidaram para participar da competição. O Ryan inclusive destacou o meu estilo de pilotagem agressiva. Depois disso eu fui treinando e evoluindo até a minha estreia, que foi quando lancei a minha marca, Drift Viking.

Como foi a sua estreia no SDB?

Foi sensacional. Fui junto com a minha mulher e amigos e foi no Mega Space. Tivemos um problema na embreagem no sábado e não consegui treinar. O Buoso, que é quem mexe no meu carro, foi um santo e deu um jeito de arrumar no mesmo dia. O carro ficou pronto às 21h e só conseguimos testar o carro na parte de baixo da pista, só para ver se estava funcionando. Fomos para o hotel e voltamos no dia seguinte, cedo. Quando cheguei, eu desci a pista pela primeira vez para fazer o reconhecimento, e já deu para ver que o negócio não ia ser fácil. Depois da área de lançamento, você faz a primeira curva, então, quando termina, já tem uma descida que só dá para ver o horizonte. Na segunda vez que desci, eu já fui jogando o carro de lado nas curvas. E na terceira já fui emendando as curvas. Na quarta vez já era volta classificatória. Consegui me classificar para as oitavas de final. Eu nunca tinha batalhado e na época meu carro estava com 184whp e 24Kgf.m, era mais fraco que o carro dos outros competidores então foi um pouco complicado. A minha batalha foi com o Erick Médici, que já era experiente. Fui falar com ele, disse que nunca tinha batalhado e ele acabou me dando algumas dicas. Isso é uma coisa legal do pessoal do Drift, todo mundo se ajuda, e isso acaba criando um clima bom, mesmo nas competições.

Pode dar alguns spoilers dos próximos passos do projeto da Shirley?

Vou me manter com a BMW e36, que é uma paixão, e vou trabalhar para chegar entre os 350whp e os 400whp. Estou montando o carro com tudo de melhor. É o meu primeiro projeto de pista então estou aprendendo no processo, estou há 3 anos com ele e pretendo ficar por muito mais.

O que você estava esperando de 2020? E como está sendo?

2020 tinha tudo para ser o ano do drift, no Brasil e no mundo, mas a pandemia está impedindo. Nesse meio tempo eu estou correndo atrás de patrocínios e parcerias. Já tenho alguma coisa engatilhada, logo vou anunciar novidades.

Tem alguma consideração final?

Queria agradecer a minha mãe, minha irmã e a minha mulher, Carolina Utumi, que sempre me incentivaram. Minha mãe é minha fã número um, ela sempre diz para eu ir atrás do meu sonho. Queria gradecer também o meu amigo, Felipe Jansen, que aprendeu a tirar fotos e fazer vídeos para me acompanhar e está comigo desde o começo.