Conversamos com Lúcio, um dos pilotos mais experientes do Grid da SDB. Ele dividiu um pouco da sua experiência e algumas curiosidades da sua carreira como piloto. Além de contar algumas novidades para a temporada 2020

Como está sendo esse período antes do início da temporada?

Tudo parou um pouco, na oficina a gente está trabalhando como dá, mas a maioria dos lugares estão fechados. Estamos acelerando tudo que depende só da gente. Para esse ano eu estou trabalhando no projeto da BMW, a ideia é aproveitar esse período e deixar tudo pronto a tempo do início da temporada.

O seu início no drift foi participando de eventos de manobras radicais, certo?

Comecei no automobilismo participando de Track Days e arrancadas, mas depois que conheci o Drift, não teve jeito. Em 98, um amigo e eu, o Wilson, começamos a ver alguns vídeos da “Vídeo Option” e montamos um carro, um Chevette. Ali começamos a brincar e praticar o Drift. Em 2001 voltamos a desenvolver o projeto, fizemos algumas modificações no Chevette e deixamos ele mais forte. Nessa época ainda dividíamos o carro, mas em 2004 eu comprei um Lada Laika que também preparamos para o Drift e passamos a participar de eventos de manobras radicais.
Na verdade os eventos eram uma desculpa para podermos praticar o drift, nós nunca fomos de fazer 360, zerinho e as manobras que eram feitas normalmente, a gente já praticava a perseguição, algo parecido com as batalhas do Drift mesmo. O pessoal até fazia algumas piadas do tipo “Vocês não conseguem levantar fumaça que nem a gente” e nós respondíamos “Quero ver vocês andarem na velocidade que a gente anda” (Risos).

E quando começou a participar de eventos de Drift?

Em meados de 2005 ou 2006 comprei o Chevette que tenho até hoje. Aos poucos fui preparando ele e em 2007 passei a ter oportunidades de praticar o Drift em autódromos, aqui pelo estado. No ano seguinte comecei a participar de eventos e campeonatos de Drift, desde então não parei mais.

Você é um dos pilotos que está a mais tempo no esporte, certo? Fala um pouco da evolução do Drift no Brasil.

Acredito que sim. Quando comecei o esporte praticamente não existia aqui no Brasil, falávamos de drift e as pessoas não faziam ideia do que significava (Risos). Com o passar dos anos foram surgindo alguns eventos, mas foi com o lançamento do Velozes e Furiosos que as pessoas passaram a conhecer um pouco mais o esporte. Com isso os eventos foram se aprimorando e acho que foi a partir de 2015 que tivemos uma grande mudança no cenário, por parte dos organizadores e pilotos.

Fale um pouco da sua relação com o Chevette.

Eu sempre gostei, tenho um amor pelo Chevette, inclusive faço parte do Clube dos Chevetteiros. Na maior parte do tempo eu andei de Chevette, desde a época dos track days e arrancadas até começar no Drift.

Eu só estou trocando de carro porque a plataforma do Chevette está deixando de ser competitiva no cenário do drift brasileiro. Apesar disso, eu não vou me desfazer dele, vai seguir sendo o meu carro reserva.

Pode revelar algumas coisas do projeto novo?

Vai ser uma BMW e36 com motor 1JZ, vai chegar perto dos 500cv de roda. Já terminamos a parte da gaiola e agora estamos partindo para a mecânica. Em paralelo estou desenvolvendo a plotagem junto do meu patrocinador. Acho que dentro de 2 meses o carro já vai estar pronto.

Uma coisa que chama bastante atenção nos eventos é o ônibus que você usa para transportar os carros.

Esse projeto existe desde 2006 mas não valia a pena pôr em prática sozinho, então eu arrumei dois sócios, o Matheus Sartor e o Bruno Viper. Eu vi o anúncio de venda desse ônibus e nós fomos atrás. Ele era usado por uma banda, para transportar equipamentos de som e viajar para os shows então já era todo vazio na parte de trás e já tinha as camas. Só foi preciso ajustar alguns detalhes de fixação dos carros e agora conseguimos levar os três.

O que você está imaginando para a temporada 2020?

Vai depender de como essa situação toda vai se desenrolar. Vai ser uma temporada diferente, além dessa questão das datas, eu ainda vou ter que me adaptar a um carro totalmente diferente do que eu estou acostumado.