Conversamos com o Guilherme Facchini, piloto do Subaru WRX e atual campeão do SD Paulista.

Como está nesse período de quarentena? Está conseguindo trabalhar no carro?

Estou fazendo a gaiola e estava com problema na bomba de direção e tive que trocar. Fora isso estou organizando a vida por aqui.

Alguma mudança no carro para essa temporada?

Fiz um ajuste de suspensão, estou finalizando a gaiola, e ajustando a parte de segurança. Vou usar pneus diferentes nessa temporada também e talvez mude a roda para o aro 18. Eu estou usando aro 17, mas não está dando tanta tração quanto eu preciso. Por enquanto o carro está com 340cv de roda.

Como começou a sua história dentro do automobilismo?

Foi com a minha a mãe. Desde de pequeno ela me colocava no volante o carro dela. Aprendi a dirigir com 7 anos de idade e depois ferrou, não parei mais. É carro, barco, avião, helicóptero, qualquer coisa que tenha motor eu tenho vontade de dirigir. (Risos)

Já participou de alguma outra modalidade dentro do automobilismo?

Eu comecei a treinar kart, mas foi por pouco tempo. Eu queria ficar jogando o kart de lado nas curvas, não queria fazer tempo. Então eu já desisti logo de cara porque um amigo me convidou para assistir a um campeonato de drift, que rolou em Piracicaba e foi aí que conheci a modalidade. Nesse mesmo dia eu vi um outro amigo que corria, e estudava comigo. Ele me apresentou o pessoal da Drift Show e eu comecei a treinar. Peguei a manha bem rápido, fiz uma aula com o Sérgio e já na terceira volta ele me disse que ia ter um campeonato, daí um mês, e que eu já conseguiria participar.

Conta um pouco da sua história no SDB.

Antes de voltar, no ano passado, eu cheguei a participar de algumas etapas, mas o meu carro era original, um Zettinho. Por ele ser original, não era muito competitivo, faltava um pouco de cavalaria em algumas pistas. Eu tinha um Skyline mas precisei me desfazer dele. Então, até fazer o swap de motor no meu Subaru, eu acabei ficando um tempão sem um carro de competição. Mas, no ano passado eu voltei com tudo para o SDB, cheguei até a conquistar o SD Paulista. Estou com grandes expectativas para esse ano. Meu carro não é tão forte quanto os de alguns outros competidores, mas o setup dele está ficando muito bom, já dá para empurrar todo mundo.

Pode falar um pouco do que está projetando para o seu carro no futuro?

Por enquanto eu estou fazendo manutenção. Os escapes dianteiros tinham amassado, estou trocando o abafador, os flexíveis, fazendo uma revisão nas mangueiras e aprimorando a parte de segurança. Estou pensando em colocar um comando para ele ganhar alguns cavalos, talvez chegar no 400 de roda, mas a primeiro eu quero deixar o carro com o setup perfeito para depois mexer na cavalaria. Quero antes ajustar a roda, pneu, acerto de suspensão, e finalizar a gaiola. Tem a bomba de direção que a gente trocou por outro modelo com a carcaça de ferro fundido, que não dilata tanto e não dá tanto problema quanto a de alumínio. Quero montar um tanque e depois partir para a cavalaria.
Também penso em mudar o câmbio de sequencial para o em H. Hoje o sequencial é uma regalia, mas acaba precisando de muita manutenção. O câmbio em H é mais resistente, aguenta mais cavalaria e eu não tenho problema em trocar de marcha com ele. Hoje o que me limita mais nesse quesito de potência, é esse câmbio. Na primeira vez que eu testei, ele quebrou a primeira, a terceira, a quinta marcha e o garfo que encaixa a terceira. Então, eu preferi deixar o carro confiável ao invés de vir colocando cavalaria. Estou fazendo um carro bem robusto e confiável para a temporada.

Qual foi o swap de motor que você fez?

Eu coloquei o L99 6.2 V8, é o motor que vem no Camaro automático aqui, no Brasil. Pro swap eu precisei fazer o cárter, suporte do motor e mudar os eixos traseiros, porque o original de Subaru é bem frágil. Precisei mexer em bastante coisa no carro, mas a minha ideia foi deixar o carro o mais simples e funcional possível.

Como você vê o seu momento como piloto?

Eu tinha uma oficina e acabava trabalhando para os clientes, e eu ficava sem muito tempo para correr atrás de tudo que envolve o drift. Agora eu estou em um momento diferente da minha vida, eu vou focar no esporte, tanto na parte de pista, quanto nas mídias e redes sociais, para me profissionalizar dentro da modalidade. O que antes começou como uma brincadeira, agora ficou sério.

Quais são suas expectativas para 2020?

Minha ideia era chegar e acabar com tudo, fritar pneu e ir cima de todo mundo. Estava com grandes expectativas para esse ano, mas como essa situação atrasou tudo, e a gente não tem nem ideia do que vai acontecer, agora o jeito e se preparar para quando tudo voltar ao normal. E foco no drift, que está ganhando visibilidade, os patrocinadores estão começando a abrir os olhos e o cenário está mudando bastante.