Quer saber o segredo para montar o carro do zero e se readaptar para uma competição em menos de 15 dias? Conversamos com o Frederico Barbosa, representante Goiano no campeonato. Ele falou sobre as expectativas para esse ano e dos desafios da sua estreia no Mega Space, em 2019.

Como está a sua preparação nessa pré-temporada atípica?

Anda meio difícil de treinar, quase todas as pistas estão fechadas. Para conseguir andar tenho que ir até Brasília então fica meio complicado.
O Carro já está pronto, só esperando as atividades voltarem ao normal.

Como você costuma treinar?

Eu faço parte do grupo da Extreme Drift, e nós costumamos treinar juntos. Já temos umas 30 pessoas no grupo. Com os treinos em conjunto, o nível acabou subindo bastante, logo teremos mais representantes no campeonato!

Você sempre foi fã de automobilismo?

Sempre gostei de carros, mas não tinha condição de ter o meu próprio. Quando comecei a trabalhar, o Chevette foi a primeira coisa que eu pensei em comprar. Eu nunca me imaginei competindo profissionalmente, mas peguei gosto quando fui chamado para treinar com a equipe da Garage Auto Service. Com o tempo eu fui evoluindo e vendo que tinha condições de participar do SDB.

Já participou de outras competições além do SDB?

Só o campeonato interno do grupo com que costumo treinar. Cheguei a vencer um deles e ficar em segundo em outro.

E a sua estreia no SDB como foi?

Foi na base da superação. Eu tinha um Chevette com 200cv de potência, mas que não cumpria os requisitos básicos de segurança, por conta de um acidente que sofri e acabou danificando a estrutura do carro. Quando o carro foi recusado na pré-vistoria, o pessoal da Garage Auto Service, que já estava empolgado com a minha participação, me deu uma força. Faltando duas semanas para a última etapa do Mega Space, arrumamos um outro Chevette que estava com a estrutura melhor, e passamos todas as peças do meu carro antigo para ele. Do novo aproveitamos basicamente a estrutura e fizemos algumas adaptações de acordo com o regulamento do campeonato.
No domingo anterior ao evento, eu fui testar o carro e o motor quebrou. O problema foi na canaleta de pistão. Eu e minha equipe fomos atrás das peças e corremos contra o tempo para deixar tudo pronto. Faltando dois dias para a etapa, passamos o carro no dinamômetro, pintamos e finalizamos. No mesmo dia, partimos para o Mega Space.

E na pista, como foi?

Foi uma realização. Cheguei no Mega às oito da noite, e subi a montanha para ver a pista lá do alto. Admito que pensei em desistir, a montanha assusta. Eu vi muitos vídeos para entender a pista e ter uma ideia do que eu ia enfrentar, mas ao vivo é diferente. Além de ser muito íngreme, não tem escapatória caso o carro falhe ou você erre, tem muros pelo traçado inteiro.

Para ganhar confiança eu treinei bastante lá em baixo, na parte plana da pista. Como o carro foi feito às pressas, eu também precisava pegar a mão dele. Então, no treino da parte da tarde eu já estava mais confiante e desci pela primeira vez a montanha. No começo não acelerei muito, só fiz o reconhecimento do traçado, mas logo percebi que tinha condições e pisei fundo. Cheguei a me classificar para as finais e batalhei com o Rodolpho Cunha, do 370z. Foi a primeira vez fiz o traçado junto com outro piloto.

Fala um pouco do seu carro para a temporada.

Quando participei do SDB, eu estava com um kit básico no Chevette, motor AP turbo com 200cv. Para esse ano eu melhorei a distribuição de peso do carro e aumentei a potência, agora está com 400cv e pronto para a primeira etapa.

Quais são as suas expectativas para esse ano?

O Corona-vírus está impedindo muita coisa. Mas tem tudo para ser o grande ano do Drift, muitos pilotos novos e nomes experientes voltando a competir, espero que possamos compensar esse tempo que está tudo parado. Há algum tempo eu era apenas um espectador, nunca imaginei que poderia competir lado a lado com grandes nomes do esporte no Brasil.