No episódio dessa semana do DriftCast, o podcast oficial da Super Drift Brasil, o CEO da SDB, Neto relembra os seus primeiros contatos com o Drift, como se apaixonou pelo esporte, diversas curiosidades de sua trajetória e diversas outras histórias.

Além do Neto, participam do podcast o diretor de prova, Ricardo Manzo, um dos juízes principais da SDB, Fernando Castro e o chefe de box Felipe Hypolito.

A paixão do Neto pelo Drift teve início há 21 anos, no Japão, e apesar de ter sido a 1ª vista, foi sem querer. Era meados de 2000, época que ele morava na terra do sol nascente, quando ele e outros amigos estavam em uma pequena cidade do interior, e Neto queria assistir uma disputa de arrancada, modalidade na qual gostava muito. Seus amigos, a todo momento, falavam que perto do local estava tendo uma batalha de Drift, que eles queriam assistir. No entanto, Neto não dava ouvidos para eles e só pensava em curtir aquela disputa da arrancada. No meio da prova, houve um acidente com um carro, que espalhou todo óleo na pista, e corrida teve que ser paralisada. Nesse momento, o destino do Neto e o Drift, começaram a ser traçados.

Com a disputa da arrancada paralisada, os amigos do Neto convenceram a ele a ir assistir a batalha de Drift, que ocorria há apenas alguns quarteirões dali. Próximo do local, ele já começou a ouvir os roncos dos motores, os pneus fritando e ver os faróis brilhando. Com isso, o seu coração já começou a bater mais forte, mas ele não sabia o motivo, pois não sabia o que era o Drift. Ao chegar no local, ele viu entre 30 e 40 carros participando de batalhas, como se fosse um balé automotivo e não conseguia acreditar no que estava vendo. Então, Neto subiu na mureta de uma fábrica e ficou até acabar tudo, sem conseguir piscar os olhos. Ele havia acabado de ser picado pelo mosquito do Drift e estava apaixonado. Paixão que já dura 21 anos.

 

“Uma coisa é ver em filmes ou pela TV, outra coisa é assistir o Drift ao vivo. É de arrepiar. Além disso, o que me chamou muito a atenção foi que todos se ajudava, mesmo sendo adversários. Esse conceito me conquistou”, afirma Neto.

 

Ele relembra, ainda, que após conhecer o Drift a sua primeira providência foi montar um carro para praticar o esporte. O veículo escolhido foi um Silvia S13, preto, com motor CA 18, no qual aumentou a pressão do turbo, além de rodas, entre outras mudanças e começou a “brincar”.

“Apesar de não dar para acompanhar o ritmo da galera, eu conseguia praticar o Drift e brincar um pouco”, diz o CEO da SDB.

Enquanto morava no Japão, Neto tinha como meta no Drift apenas dominar o carro, sem ter pretensões profissionais.

“Não queria competir. Eu tinha mais vontade de praticar o Drift, do que ser o melhor”, declara Neto.

Antes de voltar para o Brasil, ele ainda montou diversos carros no Japão e foi se especializando cada vez mais na parte mecânica. Quando voltou para solo brasileiro, Neto continuou a trabalhar com veículos, modificando eles e comercializando.

Logo depois, ele montou um restaurante, com a esposa, Karen, e começou a trabalhar no empreendimento. No entanto, a sua cabeça não parava de pensar na montagem dos carros e no Drift e depois de 3 meses, ele resolveu partir para outra. Com isso, Neto voltou, novamente, todas as suas forças para os carros.

Nesse episódio do DriftCast, Neto relembra, também, momentos e perrengues que ele e a esposa tiveram que passar na época que tinham um restaurante.

Em 2003, logo após o restaurante, Neto se reuniu com um amigo, que ofereceu um ponto comercial para que ele pudesse voltar a trabalhar com carros. O 1º veículo foi um Mustang, 95, que parecia um maracujá, de tão amassado que estava. Depois de arrumou o carro inteiro, ele viu o que o veículo não tinha a serventia esperada, com isso Neto deu o Mustang como forma de pagamento da sua oficina.

A partir de então, ele começou a trabalhar com montagem de carros para a prática de Drift. Na época, em uma negociação de um outro veículo, Neto recebeu em troca um Chevrolet Ômega, 1998, GLS 6 cilindros, com 18.000 Km, com para-choque, saia e apelido de tunadão.

Ele precisava melhorar o Ômega, para poder vender. Apesar de ser todo tunado, ele não era bom de andar. Depois de um pente fino, houve um aumento na parte de bomba, uma pressurização melhor, entre outras coisas.

“O carro ficou excelente. Nunca andei em um Ômega tão bom, como esse”, sentencia Neto.

Ele começou a andar com o carro e percebeu que, enfim, tinha um veículo com potencial para o Drift. Com isso, o projeto de vender o Ômega foi abortado e ele começou a projetar mudanças para adaptar ao esporte, como a troca da embreagem.

Depois de alguns anos, aconselhado por amigos, Neto vendeu o Ômega para, enfim, ter um carro apropriado para o Drift. Passado um período, ele pegou um outro veículo, modificou e começou a subir montanhas, descer a serra, pela estrada de serviço, para fazer Drift.

Desde essa época, o seu fiel companheiro é o seu filho Diego Higa, atual pentacampeão do Super Drift Brasil. Ele o acompanhava em todos os treinos, nas aceleradas mais malucas, sempre querendo saber de tudo.

“Ele era uma pulga, vivia grudado em mim. Não lembro de uma vez que fui andar e ele não estava junto. Sempre de olho em tudo”, lembra o CEO da SDB.

Com 13 anos, Diego já dirigia o carro do pai, manobrava, colocava o carro na vaga, cantava pneu e nessa época Neto deu a ele o seu primeiro carro, um Ômega Suprema 2.2, 1996, com 4 cilindros.

“O Diego amava fazer Drift, ele fazia com bugue, na praia, com kart, com o que tivesse. Com 13 anos, ele saia da escola e ia direto para a nossa oficina mexer nos carros. Sempre foi sua paixão”, relembra o pai.

Enquanto o Neto não começasse a modificar o Suprema, o Diego não saia do seu pé. Até que um dia, ele levou o carro para a oficina, trocou a embreagem, cortou as molas, fez uma soldagem diferenciada e começou a montar o veículo.

A partir de então, o Diego começou a andar. Aonde o Neto fosse, o Diego ia junto, com a sua Suprema, para ficar praticando. O kartódromo de Itú, além de ser o berço do Drift, na época, era o destino predileto deles por haver muito soukoukai.

Em 2012, anunciaram a 1ª etapa do Campeonato Paulista, em Piracicaba, organizado pela DS, e o Neto montou o seu carro e do Diego, para participarem. No entanto, no classificatório o carro dele quebra e ele volta para os boxes cabisbaixo. Então, Neto resolveu ir para o ponto mais alto do local, para ver a participação do filho, Diego, na competição.

“Quando eu vi aquilo, fiquei de boca aberta. O Diego não tinha tido nenhum treinador além de mim e estava andando melhor do que muito profissional. Ele fazia o traçado perfeitamente, fazendo Drift, com um carro de 160 cavalos”, afirma Neto.

Nesse momento, ele desistiu de continuar sendo piloto e decidiu focar em ajudar o Diego a se tornar profissional e dar todas as condições para o filho melhorar cada vez mais.

“Nossa família não tinha condições de bancar tudo do melhor para nós dois competirmos. Não fazia sentido. Quando o Diego voltou para os boxes, vi toda a necessidade dele em falar e eu, a minha necessidade de ajudar. Ali, descobri que a minha missão era fazer dele o melhor”, lembra Neto.

Diego terminou na 8ª colocação, nessa etapa do Campeonato Paulista, que era a sua primeira competição oficial. Desde então, Neto começou a preparar os carros para o filho, fazendo alguns ajustes, levando para treinar e o acompanhando nas competições.

A Suprema pertenceu ao Diego por um longo tempo, até ter condições de trocar de carro. Hoje, eles tentaram comprar novamente o veículo, por ser o 1º do Diego, mas ele está no pátio em condições calamitosas.

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