Conversamos com o Daniel “D2”, piloto natural de Brasília e estreante no SDB. Ele falou sobre o seu projeto, o que o SDB representa para ele e muito mais.

 

O projeto do seu carro, foi você mesmo que desenvolveu e trabalha nele?

O nosso projeto é baseado no carro do Gustavo Koch, temos o mesmo preparador, o Luciano Tolentino. Eu dei uma estudada antes, porque eu comecei a treinar em um ômega aspirado, que tenho até hoje, e fui pesquisando outras opções. Cheguei na BMW, é um carro que tem uma facilidade maior na reposição de peças, em comparação com outros modelos, e pode ser bem competitivo.

Como entrou no automobilismo?

Sempre gostei do assunto. Eu venho de uma família muito simples, perdi meu pai muito cedo, sempre acompanhei o pessoal que andava aqui em Brasília, mas era uma realidade distante da minha. Com o passar do tempo consegui me formar, abri meu próprio negócio e comecei a investir no Antigomobilismo. Há alguns anos, conheci o Radical Park, que é um espaço que aluga Ômegas para o pessoal poder brincar um pouco. Foi onde eu tive o meu primeiro contato com o Drift. Fui lá, conheci e me apaixonei. Então decidi migrar do Antigomobilismo para o Drift. Montei um ômega aspirado, mas estava sentindo que precisava de algo mais. Daí surgiu o projeto da BMW. O negócio embala, e quando você vê, está super envolvido e apaixonado!

Em Brasília tem muitos pilotos de drift surgindo para o cenário nacional, como você enxerga isso?

Em alguns momentos houve episódios de desunião, mas acho que isso está mudando. Conversei sobre isso com o Gustavo Koch e falei que a nova geração veio para acabar essa desunião e mostrar que tem muita gente boa precisando de oportunidades. Precisamos mudar esse quadro, ensinar o que a gente puder e ajudar, para que apareçam cada vez mais pilotos. Talvez possamos organizar eventos só com os pilotos daqui, mostrar o interesse e a força dos pilotos da cidade e, por consequência, conseguir incentivos e patrocínios, que hoje é a grande dificuldade da nossa região. Nosso mercado não tem muitas indústrias e grandes empresas, o que dificulta a captação de patrocínios locais.

Como é a relação da sua família com o Drift?

Minha família toda é envolvida. Eu tenho dois filhos, o Isack e o Davi. O Isack tem 9 anos e já brinca com o ômega aspirado, tenho até um vídeo dele fazendo uns zerinhos no carro, já vejo que é uma promessa do esporte para o futuro. O Davi também gosta bastante. A brincadeira deles gira em torno do drift. Se você perguntar para outra criança o que é body kit e roll cage, provavelmente não vão entender nada. Os meus já conhecem o tamanho das peças, tipo de roda, pneu utilizado, conhecem os motores e quantos cilindros tem, é um negócio impressionante, são apaixonados. Com isso a minha esposa acaba gostando também.

Como você chegou no SDB?

O SDB é basicamente o maior evento de Drift no Brasil, e naturalmente acabei conhecendo. Hoje, todo mundo sabe o que é o SDB e sabe da história e da importância do campeonato. Pra mim, hoje, o auge é participar do SDB, conquistar alguma coisa dentro do campeonato é um segundo plano, mas só de estar participando e fazendo parte da família, já estou bem satisfeito.

Fala um pouco do seu carro.

É a BMW 328i, branca, com um motor 6 cilindros turbo, fuel tech. A parte elétrica e de acerto foi feita pelo Dedê, aqui de Brasília, que basicamente faz todos os carros daqui que vão para o SDB, cambio ZF e um diferencial relação 39. Agora preciso de mais treinos para ir me aperfeiçoando e me acostumando com o carro, que ficou pronto em fevereiro, andei nele só umas 3 ou 4 vezes. É um carro que tem o dobro da cavalaria em comparação com o Ômega, então tenho que me readaptar.